Biografia

Felipe Mello nasceu em Cuiabá-MT no dia 8 de junho de 1977. Na adolescência, mudou-se para o interior de São Paulo para concluir o Ensino Médio.
Em 1996 chegou a São Paulo-SP para iniciar seus estudos universitários. Graduou-se comunicador social pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). Realizou curso de Locução no Senac-SP, Artes Cênicas no Teatro Escola Célia Helena e uma especialização na cidade de Cambridge (Inglaterra).
Em 2012 concluiu um mestrado pela Cásper Líbero, pesquisando a preparação ética dos comunicadores e as possíveis contribuições que as civilizações antigas, em especial a grega, podem oferecer em termos de revelação de talentos e respeito à coletividade.
Vem colecionando diversas experiências marcantes: mudanças profissionais radicais, fundação de uma ONG (que em dez anos beneficiou cinco milhões de pessoas) e duas empresas, atuação como palhaço de hospital, viagens internacionais para realização de ações sociais, apresentação de programas de rádio e televisão, atuação em peças teatrais, peregrinação de 900 quilômetros rumo a Santiago de Compostela, entre outras.
É diretor-fundador da ONG Canto Cidadão (www.cantocidadao.org.br) e sócio da Comunidea (www.comunidea.com.br).
Palestrante, consultor de empresas, gestor de programas socioculturais, ator e autor de teatro e apresentador de rádio e televisão.

Reportagem da Record News apresenta a biografia de Felipe Mello
Felipe comenta em vídeo sua trajetória profissional e suas escolhas
Caminhada Transformadora
Mais reflexões sobre as escolhas de Felipe Mello

No final do ano 2000, às vésperas do século 21, comecei a colocar em prática um desejo que me acompanhava desde menino. Quando escolhi me tornar um comunicador social – apresentação que mais me agrada em relação à minha profissão – tinha em mim a esperança de utilizar os recursos comunicacionais humanos e tecnológicos para interferir de forma positiva na vida das pessoas. O início da minha carreira durante e logo após a graduação, contudo, colocou um pouco de água fria em minha motivação primária. Hoje percebo que o meu desagrado surgiu menos por convicções políticas e mais pela qualidade dos encontros que eu vivia nos ambientes por onde circulava para a execução das minhas tarefas profissionais. O clima de competição nas relações horizontais e verticais, junto aos públicos interno e externo, me atravessava como um desconvite à estética, ou seja, à ética dos sentimentos, afetos, bons encontros. Comunicar naquele contexto não era o que eu tinha sonhado e planejado.
A transição em minha carreira começou a acontecer quando eu pedi demissão da segunda corporação na qual trabalhei com carteira assinada, optando por criar uma empresa com outros dois sócios. Essa etapa comercialmente empreendedora também durou pouco tempo, cedendo espaço, gradativamente, nos quatro anos seguintes, à iniciativa sobre a qual, primordialmente, quero tratar aqui.
Em julho de 2002, enquanto também trabalhava pelos projetos da minha empresa, decidi fundar uma ONG com um amigo, com quem compartilhava ideias e esperanças. Os primeiros rabiscos da iniciativa surgiram quase um ano antes, após eu e esse amigo nos conhecermos no curso de Locução para Rádio no Senac, situado no bairro da Lapa, zona oeste da capital de São Paulo. A proposta era criar um programa de rádio que tivesse como pauta central a cidadania, em especial o voluntariado, tendo como característica marcante a alegria na apresentação dos temas. O programa foi batizado Canto Cidadão, menos pelas músicas a serem cantadas e mais pelo sentido de espaço ou local onde a cidadania tivesse vez e voz em um contexto de bom humor e possibilidades práticas de participação individual em assuntos de interesse e responsabilidade coletivos. A nossa crença era que esse tema e tantos outros relacionados direta e indiretamente a ele tinham muito que ver com a alegria. Anos depois, a crença temperada por inúmeras experiências práticas me fez imaginar um enunciado de apresentação da cidadania: alegria coletiva, construída e defendida por gente talentosa e apaixonada por bons encontros.
A recorrência da produção e apresentação dos programas de rádio – que em 2013 completou 11 anos de atividades ininterruptas na Rádio Boa Nova AM 1450 kHz, com quase 2.000 edições levadas ao ar para mais de 500 cidades de diversos estados, com a audiência de milhares de pessoas – foi criando ao longo dos anos uma enorme quantidade de oportunidades de realização de palestras sobre os temas tratados pelas ondas radiofônicas. Ouvintes localizados na região da Grande São Paulo, mas também em outras cidades paulistas e em outros estados brasileiros, convidaram e ainda convidam este autor para uma atividade presencial de exposição de informações e impressões sobre o exercício da cidadania, a partir de três pilares: ética, relacionamentos interpessoais e alegria. Escolas públicas, associações comunitárias, presídios, hospitais, centros espíritas, paróquias, templos evangélicos, outras ONGs, órgãos governamentais, grupos informais e outros personagens sociais remeteram solicitações de encontro, que somam em meados de 2013 aproximadamente 1.500 eventos em formatos de palestras, oficinas e cursos realizados voluntariamente por este autor, com a presença de um total de aproximadamente 100 mil espectadores. A crença que motiva o investimento desse tempo, recursos financeiros e energia de vida é o potencial de aproximação humana que possui órbita em torno da comunicação. A partir do conhecimento das demandas coletivas, construção continuamente atualizada de discursos baseados em informações verossímeis, práticas empreendidas e propostas realizáveis, caminho com a esperança ativa de que a comunicação vitaliza o encontro das sementes com os terrenos férteis, pois mais do que nuvem onde reside o pensamento, é chuva que toca o corpo humano e gera resultados, bons ou ruins.
Em adição ao programa de rádio e às palestras, iniciamos praticamente no mesmo período – final de 2001 ­– um trabalho voluntário de visitação a hospitais públicos e asilos, utilizando expressões artísticas para se aproximar de pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde, gerando, assim, oportunidades de interações comunicacionais que contribuíssem para o bem estar dos visitados. No curso do trabalho, a opção foi pela visitação ao público adulto e idoso internado em hospitais públicos e asilos, assim como a atenção aos profissionais da saúde, desde a portaria até a direção da unidade, uma vez que as crianças, via de regra, recebiam mais atenção – e assim o é até os dias de hoje – por parte de trabalhos com propostas similares. Partindo da figura do palhaço, mas também contando com recursos da contação de histórias, música, poesia, artes cênicas e o diálogo interessado – formas ancestrais de comunicação –, foram sendo experimentados e colecionados momentos capazes de compor uma religião comunicacional, ou ainda, uma comunicação religiosa. A união dos termos se dá a partir de seus sentidos literais, em especial em se tratando da religião, cujo sentido essencial é religar, aproximar, colocar em contato.
Em julho de 2002, contando já com três programas sociais em processo de desenvolvimento (programa de rádio, visitação hospitalar e palestras solicitadas a partir do interesse despertado pela veiculação semanal do programa de rádio), a organização foi oficialmente criada. Apostando na comunicação animada, ética e competente, aproximadamente cinco milhões de pacientes, em centenas de hospitais de todos os estados brasileiros e outros seis países americanos, já foram visitados pelos mais de 1.500 voluntários que já foram treinados pela organização no curso do tempo, assim como milhares de pessoas continuam sendo visitadas mensalmente. O norteador de cada passo foi a busca contínua pela excelência no fazer comunicacional, procurando, criando e aproveitando cada oportunidade para aprimorar as relações humanas por meio da ética.
Para manter e ampliar essas atividades sociais, os diretores da organização decidiram-se pelo caminho da autossustentabilidade, pela criação de uma empresa privada que presta serviços (palestras, oficinas e assessorias) a outras empresas, especialmente em temas relacionados aos programas sociais do Canto Cidadão. Assim, o conjunto das atividades remuneradas realizadas permite o investimento social contínuo e crescente, sendo que os balanços financeiros das duas organizações encontram-se sempre disponíveis à consulta de interessados, a fim de que o formato escolhido tenha a transparência necessária nesse tipo de relacionamento.
Antes de passar aos textos escritos ao longo de minha trajetória, alguns outros elementos, também em forma de depoimento, serão apresentados, por trazerem consigo relações diretas com a decisão de fazer e investigar continuamente as possibilidades de se sensibilizar e sensibilizar outrem no que tange à utilização da comunicação como instrumento potente de proteção e valorização da vida.
O nome do grupo de palhaços que o Canto Cidadão criou e mantém se chama Doutores Cidadãos. Mais do que proporcionar o sorriso e momentos bem humorados nos locais visitados – objetivo que por si só já é considerado por muitos como de alta relevância social –, os voluntários do programa estão em busca daquilo que já foi apresentado como o enunciado de cidadania para a organização, ou seja, alegrias coletivas que podem ser construídas e defendidas por gente talentosa apaixonada por bons encontros. Dentro do grupo, o nome do personagem que eu vivo é Dr. Raviolli Bem-te-Vi, e foi por meio dele que um sem número de experiências marcantes foram experimentadas, sendo que uma delas chega com força neste momento.
Logo no início do trabalho dos Doutores Cidadãos, enquanto o grupo ainda era formado pelos seus dois fundadores, lá pelos idos de 2002, o Dr. Raviolli visitava semanalmente um importante hospital público da cidade de São Paulo. Boa parte dos pacientes estava em tratamento contra a leucemia, degustando doses diárias de embates homéricos pela vida. Naquele cenário, a presença de um personagem palhaço poderia se revelar inócua, especialmente se não houvesse uma entrega sincera às oportunidades observadas ou criadas. Aliás, este depoimento e possivelmente todo este trabalho tratam do aproveitamento de oportunidades em função das necessidades apresentadas e, afinal, da possibilidade de construção de mais beleza e nobreza a partir da busca pela excelência em encontros intersubjetivos.
Voltando ao depoimento, recordo que, em um determinado quarto, três pacientes estavam internados. De acordo com informações previamente conquistadas com a equipe de enfermagem, os três estavam em um tratamento de longo prazo sem, no entanto, o apoio de visitas externas. A partir dos primeiros contatos estabelecidos, algumas noções da dinâmica social daquele quarto foram se revelando. Dois dos pacientes eram já senhores idosos, porém não tão idosos quanto o terceiro. Foram exatamente esses dois mais jovens que demonstraram imediata aprovação pela proposta da visita animada. A partir do momento em que perceberam que não era um erro de quarto – uma vez que muitos pacientes adultos acreditam que o palhaço esteja perdido no hospital, em busca das crianças –, iniciou-se uma relação bastante fluente, alegre e saudável entre o visitante e dois dos habitantes daquele espaço de esperanças. O terceiro integrante do quarto, aquele bastante mais idoso que os outros, mostrou-se distante e reticente desde o início, sendo que a cada nova visita do Dr. Raviolli ele observava a sua chegada e prontamente se recolhia, virando de lado e se cobrindo com o lençol branco e desgastado, que possivelmente já cobrira tantos outros corpos enfermos.
As visitas semanais foram se acumulando sem alteração de sua característica central: dois pacientes aceitando cada vez mais a proposta dos Doutores Cidadãos, que antes de buscarem o espetáculo artístico buscam a construção de laços entre humanos, e o terceiro permanecendo em sua postura isolacionista. Certo dia, ao chegar ao quarto, o Dr. Raviolli teve uma surpresa: apenas um dos pacientes estava lá, uma vez que os outros tinham sido deslocados para a realização de exames rotineiros. Para constrangimento do palhaço, o presente era exatamente o mais arredio dos anfitriões. Naquele momento, imaginando que o senhor estivesse dormindo ou que não tivesse percebido a sua chegada, o visitante tomou uma decisão inesquecível. Na ausência de sua plateia cativa, do terreno confortável onde brotavam sem esforços a comunicação e a empatia, a atitude tomada foi também a busca pela ausência a partir da incomunicação. Pé ante pé, iniciou uma saída silenciosa do quarto, buscando evitar o contato com aquele que durante tanto tempo o ignorara. Quando já estava de costas e cruzando o batente da porta, o paciente finalmente decidiu se dirigir ao Dr. Raviolli:
— Ô, menino!
Congelado por aquele flagrante, o palhaço se virou timidamente e começou a balbuciar uma resposta de palavras desencontradas:
— O senhor está acordado? Poxa vida, eu não falei nada porque imaginei que o senhor estivesse dormindo e eu não queria incomodar. Sabe como é...
Serenamente, o senhor me interrompeu e pronunciou, com uma voz que indiciava uma fraqueza que ia além da debilidade física, palavras afirmativas e interrogativas que até hoje inspiram em mim importantes reflexões:
— Você sabia que eu não estava dormindo. Você estava desistindo de mim?
Pego novamente de surpresa, Dr. Raviolli ameaçou organizar justificativas – as quase sempre presentes justificativas para os desencontros cotidianos –, porém não teve como disfarçar a sua culpa. O personagem, ou ainda, eu, estava, sim, desistindo daquele paciente, motivado por um conjunto de fatores, bem provavelmente capitaneados pela preguiça e vaidade, que tanto podem afastar o humano da excelência pela falta ou pelo excesso, respectivamente.
O senhor convocou o Dr. Raviolli de volta ao quarto, pedindo a ele que se aproximasse.
— Um pouco mais perto, complementou.
Após atender ao pedido, ficou claro para o Dr. Raviolli que o senhor demonstrava sinais evidentes de cansaço. Talvez um cansaço mais anímico do que físico. Ele pediu ainda mais proximidade, sendo novamente atendido. Quando o palhaço estava bem próximo ao leito, o senhor esticou o braço e segurou firme na gravata colorida do visitante. Após o susto inicial causado pelo gesto veloz, veio a percepção da gentileza embutida na ação, que tinha o propósito único de construir ainda mais proximidade. Pela fraqueza da voz e a difícil conversão de palavras em orações, parecia que há tempos aquela pessoa não tinha para quem contar o que quisesse e precisasse contar. Foi então que o senhor começou a relatar uma parte da sua história:
— Menino, há vinte anos a minha família me deixou. Acho que fui um bom pai, mas um pai que não teve a chance de ver seus netos crescerem. Isso me fez perder o encanto pela vida. Há vinte anos moro em um asilo. Há vinte anos ninguém me pergunta quem eu sou e de onde eu venho. Há vinte anos ninguém se interessa pela minha história, pelo que eu penso da vida e o que da vida me mete medo. Parece que eu não vivi noventa anos, porque quando a gente para de contar a nossa história, parece que ela escapa pelos dedos, feito grão fino de areia. E aqui no hospital, nos últimos três meses, bem perto do meu momento de despedida, você me visitou e perguntou, com um sorriso no rosto, tudo o que ninguém me perguntava há mais de vinte anos.
Naquele momento, o Dr. Raviolli não se deu conta da questão do período de visita citado pelo senhor. No entanto, verificando depois as folhas do calendário, foi possível perceber que ele estava rigorosamente certo, pois tinham sido exatos três meses de visitas semanais. O senhor continuou o seu relato:
— Menino, você é o meu primeiro contato com o céu. E vai prometer para este velho que nunca, nunca mesmo, vai parar de levar essa dignidade para gente como eu. A simplicidade das suas visitas me colocou em contato de novo comigo mesmo. Se eu não respondi a você durante todo esse tempo, é porque antes eu precisava conversar comigo mesmo. Vai com Deus, menino. Eu estarei com Ele daqui a pouco e vou dizer que você está fazendo um bom trabalho. Corre o risco Dele te promover, hein!
Ao dizer esta última frase, o senhor abriu a boca de poucos dentes em um sorriso trigueiro. Dr. Raviolli e eu, personagem e pessoa, saíram de mãos dadas do quarto aos prantos por dentro. Lágrimas de existência. Passando pelo mesmo corredor uma hora depois, este autor viu o corpo daquele senhor coberto por um lençol. A enfermeira responsável mirou os olhos do palhaço e assentiu respeitosamente, como em um ritual litúrgico, ciente de quem havia sido o último a estar com aquele senhor. Ele havia partido para um lugar desconhecido. Eu também parti naquele dia; parti muito diferente do que cheguei, pois havia sido resgatado por um anjo caído, em seus últimos momentos de vida, fisicamente decrépito e socialmente abandonado. Pobre em diversos sentidos, aquele senhor ofereceu a mim, por intermédio do Dr. Raviolli Bem-te-Vi, uma lição de valor inestimável: quando, em uma situação envolta por necessidade e responsabilidade, opta-se pelo abandono da oportunidade em função de dificuldades iniciais e distrações éticas, pode-se alimentar um desperdício de potencial em termos de encontro humano.
O episódio relatado reforçou o compromisso de adotar como farol a busca por todo o potencial da comunicação, evitando o seu desperdício, uma vez que ela traz consigo o poder cuidador da construção de encontros essenciais para a dignidade humana. Se essas e outras histórias vividas na execução do trabalho de palhaço, palestrante, produtor e apresentador de programa de rádio, ou seja, comunicador social, em hospitais, asilos, escolas, organizações sociais, comunidades carentes em diversos aspectos, vêm cumprindo o papel de reforço do compromisso individual de comunicar de forma nutritiva, este autor também vem investigando quando e onde essa chama foi despertada. Outra inquietação que chega regularmente: é possível contribuir decisivamente para despertar essa chama no outro? Se é possível, como fazer cada vez mais e melhor? Pelo menos em se tratando da primeira inquietação, ou seja, onde e quando este autor crê que despertou para a ética dos bons encontros, a resposta mais fortemente sentida une etimologia, afeto e valorização de talentos.
O que mora em nós? Do que somos feitos? Qual é a nossa casa primeira? Perguntas impertinentes que a passagem dos anos veio conduzindo ao meu porto. Papo complexo, amplo e infinito em possibilidades. Ou ainda, papo manso, simples, próximo e palpável. Quem quer defini-lo? Em vez disso, vence o desejo de comemorar algumas descobertas particulares a respeito.
Há algo que vem sendo compreendido em relação às perguntas apresentadas sobre a casa, ou ainda, o local de nascimento de cada um. A palavra ethos, filha do grego arcaico, significava a morada do humano em dois sentidos, literal e simbólico. Cada vez mais se amplia o desejo de celebrar a casa primordial e o que por lá foi aprendido. Tem um forte sentido o encontro do significado da palavra ética com o núcleo social mais próximo, ou seja, a família, os amigos, a escola e a comunidade em geral. É comemorável a herança ética recebida por este autor dos seus pais, gente de fibra, humildade e honestidade. Ao citá-los, envolvem-se também os avós, bisavós, tataravós e todos os outros ancestrais. Possivelmente como a história dos antepassados de quem lê este texto, os deste autor viveram dificuldades graúdas, em terras estrangeiras e por aqui também, imigrantes oriundos do Líbano, Itália e Portugal. Trabalho, mais trabalho e muito mais trabalho. Ética como combustível, não como acessório. A disposição para encarar os desafios parece fazer parte do espólio deixado. Cada vez que sinto que isto está acontecendo no dia-a-dia, recebo o prêmio máximo: o abraço afetuoso do sentido de existir e o calor da cozinha de casa.
Impulsionado por um misto de gratidão pelos presentes recebidos e pelas conquistas engendradas, senso de responsabilidade e curiosidade (certa coceira que motiva a verificar possíveis oportunidades ainda não aproveitadas ou que poderiam ser melhor aproveitadas), reuni neste livro alguns textos que escrevi ao longo de minha caminhada. Basicamente, eles tratam da vontade de se fazer bons encontros, por meio de sentimentos, reflexões e práticas em busca de coerência entre si.